No Dia Internacional da Mulher, a reflexão sobre a segurança feminina no Brasil baseia-se em uma estatística alarmante: o país nunca registrou tantos feminicídios. Em 2025, foram 1.568 mulheres assassinadas – uma média de quatro mortes por dia, segundo dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A fim de frear essa escalada de violência contra a mulher, municípios brasileiros estão adotando uma tecnologia como nova aliada nas ruas: os postos eletrônicos, mais conhecidos como totens de segurança. Desenvolvidos para atuar em espaços públicos, os equipamentos funcionam como postos avançados de monitoramento e socorro, com o objetivo de reduzir o tempo de resposta das forças policiais e de criar uma rede de proteção imediata e acessível para mulheres em situação de risco.
Como funciona a tecnologia?
Os totens de segurança possuem um sistema de giroflex que remete imediatamente à presença de uma viatura policial. No entanto, o principal diferencial está na interatividade e na vigilância. Os totens são equipados com botão de emergência, que, quando acionado, conecta a vítima de forma imediata à central de segurança; um comunicador que permite que a vítima converse em tempo real com um agente, relatando a ocorrência; e um sistema de áudio, capaz de enviar alertas à população e reproduzir mensagens automáticas, além de câmeras 360°, que garantem o monitoramento contínuo do perímetro, gravando toda a ação e auxiliando na identificação rápida de agressores.
De acordo com Edison Endo, diretor da Helper Tecnologia, empresa detentora da patente dos equipamentos, os totens atuam como pontos estratégicos de proteção em espaços públicos, oferecendo acionamento imediato em situações de risco e monitoramento em tempo real. "A presença visível do equipamento funciona como fator inibidor de abordagens violentas, além de ter um papel importante na identificação do agressor", explica.
Integração com órgãos de segurança
Para que o resgate seja eficaz, a tecnologia atua em parceria com prefeituras e órgãos de segurança pública. Sempre que possível, o sistema é integrado à rede local de proteção, acionando de imediato a Guarda Civil Municipal (GCM), a Polícia Militar e, dependendo da estrutura do município, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e as secretarias responsáveis por políticas públicas para mulheres. "No contexto da violência contra a mulher, os totens ampliam o acesso à ajuda emergencial, reduzem o tempo de resposta e fortalecem a rede de proteção local. A tecnologia atua de forma complementar, fortalecendo o sistema de encaminhamento adequado das vítimas", afirma Endo.
Flagrantes e prisões na prática
A eficácia do sistema já foi comprovada nas ruas, com casos que culminaram na prisão de agressores antes que ocorresse o pior. Por respeito à privacidade das vítimas, dados pessoais sensíveis não são expostos, mas já foram publicados registros oficiais que evidenciam o impacto da tecnologia. Em Porto Alegre, por exemplo, uma mulher vítima de violência doméstica conseguiu fugir e acionar um totem instalado em via pública. A resposta imediata da Guarda Municipal resultou na prisão do agressor.
Em Guaíra, interior de São Paulo, o monitoramento preventivo pelas câmeras do totem ajudou na identificação de uma agressão contra uma mulher grávida. As imagens permitiram que agentes da Guarda Civil Municipal fossem enviados rapidamente ao local, efetuando a prisão em flagrante do agressor.
Tecnologia como apoio, não substituta
Atualmente, os totens de segurança já estão implantados em mais de 80 cidades brasileiras, espalhadas por 15 estados, com expansão contínua pelo país. No entanto, os próprios desenvolvedores reforçam que o equipamento é apenas uma ferramenta em um cenário muito mais complexo. "A violência contra a mulher é um problema estrutural que exige políticas públicas amplas, educação e conscientização social. A tecnologia não substitui essas ações, mas pode ser uma aliada estratégica na ampliação da rede de proteção", conclui o diretor da Helper Tecnologia.
A promessa para o futuro é continuar contribuindo para cidades mais seguras, oferecendo ferramentas que garantam que os pedidos de socorro das mulheres não fiquem sem resposta.

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